Livros

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"A leitura de todos os bons livros é como uma conversa com os homens mais requintados, inteligentes dos séculos passados"
(René Descartes)



26.7.03

Enquanto isso, na internet, um grupo de garotos do bem está tendo que driblar a lei e matilhas de advogados por causa de um belo e inédito exercício de companheirismo. Como (quase) todo mundo sabe, o quinto volume do Harry Potter só chegou às livrarias em inglês; nenhuma editora, em país de qualquer outra língua, teve acesso aos originais.

Resultado: criou-se uma complicada situação de desigualdade cultural entre os fãs da série. A garotada poliglota já devorou o livro, mas não pode discuti-lo com os colegas, digamos, lulistas.

O que fez, então, a turma anglo-parlante? Dividiu os capítulos entre si e começou a traduzi-los. À medida em que os capítulos ficam prontos são postos na internet, para acesso dos monoglotas que, assim, atingem a democracia literária.

Claro que isso não está certo, juridicamente falando; mas é muito legal. O interessante é que este fenômeno está acontecendo espontânea e fulminantemente em inúmeros países. E o triste é constatar que J. K. Rowling e a Bloomsbury, sua editora inglesa ¿ na trilha das gravadoras que mataram o Napster ¿ não entenderam nada. E vêm com tudo.

O Globo, Rio, 24 de julho de 2003, caderno Segundo Caderno, coluna CORA RÓNAI., e-mail: cronai@oglobo.com.br, blog: http://cora.blogspot.com/

postado por: Eduardo Pereira 16:44



25.7.03

Frei Betto

Três editoras francesas assinaram contrato com Frei Betto.

A L'Aube vai lançar "Hotel Brasil" e a Mille et Une Nuits se prepara para editar "Lula - um operário na Presidência".

E a Ramsay vai editar "Fidel Castro - conversations avec Frei Betto".

O Globo, Rio, 21 de julho de 2003, caderno Rio, coluna de ANCELMO GÓIS,


postado por: Eduardo Pereira 07:22



23.7.03

Hoje Clemente Nóbrega fala sobre seu livro "Antropomarketing ¿ Dos Flinstones à era digital: marketing e a natureza humana", da Editora Senac Rio, na Bienal Capixaba de Livros.

O Globo, Rio, 04 de julho de 2003, caderno Rio, coluna de ANCELMO GÓIS.
freipaulo@oglobo.com.br

postado por: Eduardo Pereira 06:45



21.7.03

No prelo

Os amantes da cultura vão este ano conhecer mais sobre a sensibilidade afetiva do mestre Guimarães Rosa.
Oitenta cartões-postais que ele colecionava, com desenhos e anotações pessoais, vão virar livro, graças ao esforço da neta adotiva do escritor, Vera Tess.
A obra, que sai em outubro, terá prefácio assinado pelos respeitados Antônio Candido e José Mindlin.

Jornal do Brasil, Rio, 21 de julho de 2003, caderno Rio, coluna de RICARDO BOECHAT.
colunaboechat@jb.com.br

postado por: Eduardo Pereira 20:37



As placas de rua que anunciam (e denunciam) a língua falada no Brasil

"O Brasil das Placas: Viagem por um País ao Pé da Letra"

Texto: L. Soares
Fotos: José Eduardo Camargo
Editora: Abril
Contato: 0/xx/11/6846-4747
Quanto: R$ 24,95

LUÍS AUGUSTO FISCHER
COLUNISTA DA FOLHA
Eu sinto solidariedade com quem não domina direito o código culto da língua. Sabe aquele pessoal que apanha do português, que treme na hora de usar a crase, que pede desculpas se precisa falar na frente de letrados? Pois é. Para mim, é gente que precisa ser compreendida porque o problema é menos dela do que da cultura brasileira.
Explicando: a tradição brasileira foi e é predominantemente excludente. Ali, onde o povo tomava a palavra para começar a dizer as coisas de seu ponto de vista, sempre aparecia um autoritário para dizer o que não podia falar. Quer dizer: era a vida real, dura e desescolarizada, contra a prepotência do saber culto e elitista. Ainda hoje tem gente assim, de professores a jornalistas, passando por advogados e sua linguagem insuportavelmente formalista.
Bem, o caso é que saiu um livro dos mais interessantes de nossa época em torno desse assunto, e sem preconceito contra os iletrados: "O Brasil das Placas". Já viu? Então corre, que vale a pena. São fotos de José Eduardo Camargo, feitas em vários pontos do país, acompanhadas de uma narrativa bem-humorada, escrita ao estilo do cordel nordestino por L. Soares. As fotos são todas de placas, dessas que a gente vê na rua, apontando um caminho ou um serviço. E o resultado é fascinante.

Folha de São Paulo, segunda-feira, 21 de julho de 2003, caderno Teen, coluna ESTANTE.

postado por: Eduardo Pereira 20:37



18.7.03

Saúde masculina

O urologista e professor da Unifesp Miguel Srougi, que detém o recorde de cirurgias de próstata no Brasil, acaba de lançar um livro sobre o funcionamento e as alterações -benignas e malignas- que podem afetar esse órgão. "Próstata: Isso É com Você" (128 págs., R$ 29, ed. Publifolha, tel. 0800-140090) também reforça a importância dos exames regulares.

Folha de São Paulo, quinta-feira, 17 de julho de 2003, caderno Equilíbrio, coluna poucas e boas.

postado por: Eduardo Pereira 07:21



Bichos infantis

O advogado Nelson Motta, pai do Nelsinho, é o mais novo autor infantil. ¿Vovô viu a bruxa, a andorinha, o leão e outros bichos da floresta¿ sai em agosto. Histórias que contava para a neta Tati. ¿Ela queria as histórias da véspera e eu resolvi escrever para não esquecer¿, diz Nelsão.

O Globo, Rio, 17 de julho de 2003, coluna de GENTE BOA.

postado por: Eduardo Pereira 07:09



17.7.03


Dia 29, Maurício Andrés Ribeiro, ex-secretário de Meio Ambiente de Minas Gerais, lança, na Livraria da Travessa, o livro Tesouros da Índia - Para a Civilização Sustentável.
Jornal do Brasil, Rio, 16 de julho de 2003, caderno Rio, coluna de RICARDO BOECHAT.

postado por: Eduardo Pereira 06:52



Esquina do ridículo

Ai de ti, Baixo Leblon. Tavinho Paes, que durante décadas tem sido visto de mesa em mesa vendendo suas poesias, prepara livro sobre as noitadas inesquecíveis da esquina do ridículo e adjacências. A noite em que a esotérica amiga de Cazuza conversou, na boa, com a alma daquela cabeça de touro na parede do Real Astória e outras histórias.

O Globo, Rio, 16 de julho de 2003, coluna de GENTE BOA.

postado por: Eduardo Pereira 06:51



12.7.03

RODAPÉ

Cronistas de São Paulo conjugam lirismo no pretérito
MANUEL DA COSTA PINTO
COLUNISTA DA FOLHA

São Paulo completará 450 anos no ano que vem, mas ainda não encontrou um cronista que seja sua mais completa tradução. Se a compararmos com a outra grande metrópole brasileira, há uma forte discrepância. Afinal, o Rio de Janeiro teve não apenas Machado de Assis como um de seus melhores cronistas como atraiu mineiros (Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Drummond, Otto Lara Resende), pernambucanos (Nelson Rodrigues) e capixabas (Rubem Braga) que se integraram tão perfeitamente à paisagem local que passaram a celebrá-la.
Essa identificação com a cena urbana não tem paralelo em SP. O fenômeno é sintomático. A ausência de uma tradição de cronistas talvez seja indício de que a cidade é refratária a esse olhar contemplativo. A "Cidade Maravilhosa" deslumbra e atrai. A "Paulicéia Desvairada" impressiona e repele. A ex-capital do Império e da República é uma cidade de espaços públicos. A capital financeira e industrial do país está fragmentada em nichos privados que oscilam entre excesso e miséria.
Dois livros recém-lançados contribuem para pensar no tema e correspondem a diferentes períodos da crônica paulistana: "Ronda da Meia-Noite", de Sylvio Floreal, e "São Paulo de Meus Amores", de Afonso Schmidt. Ambos fazem parte da coleção "São Paulo" e são reedições de obras publicadas, respectivamente, em 1925 e 1954.
O livro de Floreal é dividido em seções ("tríptico dos vícios", "tríptico das amarguras", "tríptico dos costumes pitorescos"). Seus textos exalam um decadentismo do tipo "belle époque", com prostitutas, boêmios e loucos.
Não é exatamente uma crônica da cidade, mas de seu submundo. Floreal tem prazer voluptuoso em descrever "vícios catacumbais e mortíferos" como o já então existente consumo da cocaína, "esse olímpico veneno". Há graça e humor na definição do Viaduto do Chá como um "suicidouro construído pela municipalidade". Mas também há uma visão preconceituosa de negros e imigrantes. Falando dos moradores do bairro da Liberdade, por exemplo, Floreal escreve que "os japoneses vivem mui japonesamente inflingindo todas as leis da higiene".
O cronista transita por manicômios e presídios, mas descreve tudo com inflação retórica. Entra no manicômico do Juquery com o frenesi macabro de um frequentador de cabarés: "O espírito, sugestionado pela antevisão, desdobra-se fantasticamente, criando monstruosidades, aberrações; fisionomias disformes, vultos apocalípticos, sombras cabalísticas, fantasmas viscosos de abracadabra! Amplia-se o cosmorama da invocação funesta!".
A São Paulo de Sylvio Floreal é um cortejo de personagens ao mesmo tempo fascinantes e repulsivas, porém apartadas da realidade cotidiana de seu tempo e do nosso tempo. No caso de Afonso Schmidt, sentimos esse mesmo distanciamento, mas ele assume um caráter temporal.
O autor de "São Paulo de Meus Amores" tem uma relação afetiva com a cidade. Há algo de emocionado na forma como fala de presépios, festas populares, coretos, teatros de bairros e logradouros hoje inteiramente transfigurados como Brás e Jardim da Luz.
Quando trata dos pardais que povoam as praças, do boêmio Cunegundes, do pregão dos vendedores ambulantes e de palhaços célebres como Piolin e Arrelia, Schmidt adota um tom intimista cujo melhor momento é a redescoberta do "firmamento paulistano" durante um "black out".
Mas prevalece no livro uma preocupação em fazer a crônica de momentos históricos, como a chegada do primeiro trem, em 1865, ou a evolução dos pioneiros cinematógrafos. Schmidt escreve no pós-guerra, mas tem os olhos voltados para uma São Paulo em formação -como se aqui o lirismo só se conjugasse no pretérito.



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Ronda da Meia-Noite
Autor: Sylvio Floreal
Editora: Paz e Terra
Quanto: R$ 17 (198 págs.)

São Paulo de Meus Amores
Autor: Afonso Schmidt
Editora: Paz e Terra
Quanto: R$ 17 (252 págs.)

postado por: Eduardo Pereira 21:15



11.7.03


Para os pais

Explicar como funciona a mente de um portador de dislexia e as dificuldades causadas por esse transtorno de aprendizagem é um dos objetivos de "A Vida Secreta da Criança com Dislexia" (214 págs., R$ 39, ed. M. Books, tel. 0/xx/11/3168-8242). O livro foi escrito pelo psicólogo americano Robert Frank, cuja dislexia só foi diagnosticada quando ele estava na faculdade.

Folha de São Paulo, quinta-feira, 10 de julho de 2003, caderno Equilíbrio, coluna poucas e boas.

postado por: Eduardo Pereira 06:56



Hoje, o consultor de empresas Cesar de Souza lança o livro Você é do tamanho de seus sonhos, no auditório do Senac-Rio.

Jornal do Brasil, Rio, 10 de julho de 2003, caderno Rio, coluna de RICARDO BOECHAT.

postado por: Eduardo Pereira 06:52



9.7.03

Leitores apaixonados

A novela de Manoel Carlos, Mulheres apaixonadas, tem agitado até o mercado editorial. Depois que a ciumentíssima personagem de Giulia Gam apareceu, há dois meses, numa cena lendo para o marido um trecho do livro Como lidar com emoções destrutivas, a obra teve um substancial impulso de vendas. Já ultrapassando 20 mil exemplares, o livro de Daniel Goleman e do Dalai Lama entrou, esta semana, na lista dos mais vendidos.

Jornal do Brasil, Rio, 30 de junho de 2003, caderno Caderno B, coluna de MÁRCIA PELTIER.

postado por: Eduardo Pereira 22:47



Marcel Souto Maior relança hoje em BH "As vidas de Chico Xavier", em versão atualizada com fotos.

O Globo, Rio, 30 de junho de 2003, caderno Rio, coluna de ANCELMO GÓIS.

postado por: Eduardo Pereira 22:35



mercado
Relançamentos: um esporte nacional
Por que ler os clássicos? Italo Calvino deu a melhor de todas as respostas à esta pergunta: Por que é melhor do que não lê-los. Concordo com ele. Ótimo, vamos ler Tolstói, Balzac, Stendhal, Voltaire, Conrad...

Mas... eu não sei o que acontece na rarefeita atmosfera das academias e editoras. Eles ainda não perceberam que nem só de clássicos vivemos os pobres mortais. E onde fica a literatura de entretenimento? Não me refiro às coisas (nem livros são) descartáveis, pobres de conteúdo, concebidas unicamente visando lucro e que entopetam as prateleiras das livrarias, mas à boa literatura de entretenimento. Aquela que faz o leitor pensar três vezes antes de ligar a televisão, pois ¿precisa¿ saber o que vai acontecer com aquela personagem.

O que chamou minha atenção para este assunto foi a quantidade de relançamentos programados até o final do ano pelas editoras. Uma das mais importantes revistas de cultura da língua portuguesa, a revista Bravo, em uma de suas últimas edições trazia matérias sobre Thomas Mann, Jean-Paul Sartre, João Cabral de Melo Neto e Roberto Piva. Além de serem gênios da literatura e da poesia, merecedores de respeito, admiração e um espaço na nossa biblioteca, o que têm eles em comum? São considerados, cada um dentro de sua área, clássicos, e estão sendo Relançados no Brasil.

Onze páginas na Bravo foram dedicadas a relançamentos e clássicos, e uma página para Jamil Snege. Jamil, cuja escrita é chamada, na mesma revista, de ¿concisa, radical e fabulosa¿. Além disto, o que mais diferencia Snege destes clássicos? É que agora eles estão sendo Relançados com capa mais bonita do que a anterior, nova diagramação, papel de maior qualidade (mais caro), impressão melhor, prefácio de alguém famoso e um imenso e dispendioso esquema publicitário. E quem precisa disto?

Se o ato de relançar clássicos fosse realmente encarado como uma missão de escopo cultural, outorgada diretamente dos Deuses e das Musas com o único objetivo de levar cultura às massas, estas obras estariam sendo vendidas para o público em papel jornal, em edição de bolso. É assim que se leva cultura para o povo: barateando seu acesso. Vendendo livros em bancas de jornais. Equeça a capa dura de couro, o tamanho padrão, os filetes de ouro e o papel sem borrão. Seria maravilhoso se todos pudéssemos ter em casa livros assim? Seria. É possível? Não.

¿Mas o povão não gosta de livros de bolso, menores e impressos em papel jornal.¿ Claro que não gosta. O Povão Sem Nome prefere andar de ônibus carregando um livro de 2 quilos em baixo do braço, pois quer fazer musculação e não tem tempo de frequentar academias. O Povão prefere levar no ônibus um livro que pesa tanto quanto um tijolo, pois assim seus companheiros de viagem vão olhar para ele e saber que ele é um erudito. Não é a cor da capa, o tamanho nem a qualidade do papel que vão fazer de um clássico o que ele é. Isto não muda o que foi escrito. É fachada. Não acrescenta nada. Ao contrário, só tira. Tira o clássico da mão do Povão.

E o Povão gosta de ler. O Povão gosta de cultura, gosta de ouvir música clássica. Assisti há alguns anos, em uma praça, no centro de Curitiba, uma apresentação de uma orquestra composta de membros de sinfônicas de várias cidades. Foi uma experiência única. Final de tarde, inverno, céu azul profundo prenunciando geada para a manhã seguinte. As pessoas saindo do trabalho e reunindo-se para ouvir Debussy, Ravel e Mozart. Até hoje penso naquelas pessoas, transformadas em parentes na música, partes da família ¿Sem Nome¿, irmãos e irmãs do Povão, e como elas gostariam de ler um clássico.

Como elas gostariam de ¿não precisar¿ ligar a televisão no domingo à tarde e ¿ter¿ que assistir Gugu ou Faustão. Ou, pior ainda, assistir em um destes programas uma entrevista com uma pessoa abjeta como Narcisa Tamborindeguy, e descobrir que até ela publicou um livro. E que todos, inclusive ela mesma, acham que aquilo que ela está vendendo é literatura. Só o que ela faz é enfileirar palavras e amontoar parágrafos. Disto, nosso amigo Povão não precisa (na verdade ninguém precisa), mas é justamente o tipo de livro que é produzido barato e ao qual todos têm acesso.

Editores! Acadêmicos! Parem com este ciúme. Os clássicos não são só de vocês. São da história. São nossos. São do Povão. Apesar disto as editoras, como diz um jornalista amigo meu, ¿ficam requentando medalhões em vez de dar espaço para o pessoal do andar de baixo¿.

Eu concordo que em toda atividade comercial ou empresarial deva haver lucro, ou não teríamos editoras nem livrarias. Mas porque ficar insistindo em republicar, relançar, reeditar, requentar, quando existem tantos novos autores e novas obras, esperando vez para tornar-se clássicos? Não sou contra Calvino, muito pelo contrário, mas tenho certeza que existem centenas de escritores e poetas a quem o Povão tem direito de ler. O que se gasta com a publicação de ¿medalhões¿, poderia ser usado para publicar dezenas de novos autores.

Existem muitas obras ainda amargando o escuro do fundo de uma gaveta. Mas elas não estão sozinhas. Estas gavetas são grandes e centenas de outras obras, com certeza algumas clássicas, estão com elas.


por.Fábio Marchioro em 06.jul.2001

postado por: Eduardo Pereira 20:11



educação
Leitura Recomendada
Se você deseja ser um escritor, pense assim: sua leitura obrigatória já está com um atraso de aproximadamente 6.000 livros.
Assustador? De forma nenhuma. É maravilhoso. Pense em tudo o que você ainda pode aprender, os detalhes das personagens que vai conhecer, todos os lugares, dos mais sagrados aos mais profanos, dos requintados aos vulgares, das cavernas aos palácios, das alcovas aos salões de baile, em que você será sorrateiramente admitido, simplesmente por ser um leitor. Quer conhecer a mente de um gênio? De um mineiro de carvão? De um assassino serial? Quer entender porque uma criança sorri quando pisa descalça na grama, ou porque um por de sol pode umedecer os olhos de um casal? Então não se apavore com o número acima, e leia. Se for mais fácil para você, pense que são 6.000 quilômetros da melhor viajem que já fez na vida, e que a cada centímetro desta estrada, às vezes asfaltada e sinalizada, às vezes completamente destruída e devorada por uma floresta assustadora, existe, não a possibilidade, mas a probabilidade de que coisas excitantes acontecerão.

A princípio, a recomendação de leitura para um escritor pode resumir-se em uma palavra: tudo. Leia tudo sobre tudo e sobre todos. Tenha um livro no porta-luvas do seu carro, na pasta que você carrega, no banheiro, na mesinha de cabeceira e na cozinha. Esqueci algum lugar? Tenha um livro lá também!

Leia jornais, revistas, livros de história, política, romances, ficção científica, policiais, bulas de remédios, letras de músicas, livros de contos e coletâneas de crônicas. Leia os clássicos. Todos os que são, todos os que serão, todos os que talvez sejam e a maioria daqueles que você tenha certeza que nunca serão. Na pior das hipóteses você vai aprender o que não fazer quando escrever um livro.

Leia em português, alemão, italiano, espanhol, inglês, francês, aramaico, iídiche... leia em todas as línguas que você conheça. Se você só entende português, leia mais em português.

Imagine-se como um lago. Profundo, imenso e que tem uma capacidade infinita para receber mais e mais informação. O excesso, aquilo que não fará diferença para sua vida ou sua carreira, aquilo que passou e foi rejeitado pelo seu senso crítico, como uma pequena ondulação feita por uma brisa inconseqüente na superfície do lago, deixe evaporar. Mas aquela onda, aquela vaga, aquela frase, aquele conceito, aquela obra ou aquela palavra que cai lá no meio do lago com espalhafato, chamando sua atenção, leve imediatamente para a sua parte mais profunda, ancore e a mantenha lá. Pode ter certeza que, de uma forma ou de outra, aquilo vai ser útil algum dia.

Lembre-se que quanto mais você ler mais vai aprender. Mas a maioria dos livros escritos em português sobre a arte de escrever (tenha certeza disto: ESCREVER É UMA ARTE) são produzidos por acadêmicos, orientadas a um leitor acadêmico que vive uma verdade acadêmica. Normalmente são muito distantes da realidade do mercado editorial e especialmente daquela peça fundamental no processo de publicar um livro: o leitor. É para ele que todos as gotas do seu suor, todos os seus insights, todos os seus sorrisos, sonhos e lágrimas têm que estar direcionados.

Tenha certeza de uma coisa: existem grandes autores brasileiros e portugueses. Apesar de serem de leitura obrigatória, não me refiro somente a escritores como Machado de Assis, Luis de Camões, Guimarães Rosa (maravilhoso), José de Alencar, Carlos Drumond de Andrade ou Jorge Amado. Vá até a biblioteca ou livraria mais próxima e procure obras de romancistas, cronistas, contistas, dramaturgos ou poetas, como Mário Palmério, Marcelo Rubens Paiva, José Roberto Torero, João Gilberto Noll, Luiz Fernando Veríssimo, Monteiro Lobato, Valêncio Xavier, Moacyr Scliar, Lygia Fagundes Telles, Lima Barreto, Dalton Trevisan, Carlos Heitor Cony, Millôr Fernandes, Hilda Hist, Haroldo de Campos, Augusto de Campos, José Saramago, José Paulo Paes, Fernando Pessoa, Nelson Rodrigues, Érico Veríssimo, Clarice Lispector...

Mas não se esqueça e, só porque eles são estrangeiros, não tenha vergonha de dizer que gosta, de autores como Umberto Eco, Gabriel Garcia Márques, Jane Austen, Italo Calvino, Charles Dickens, Anton Tchecov, E. E. Cummings, T. S. Eliot, Dante Alighieri, F. Scott Fitzgerald, a família Brontë, Ambrose Bierce, Hemingway, Victor Hugo, Twain, Thoreau, Tennessee Willians, Proust, Tolkien, Melville, Joyce, Hesse, Tolstoy, Julio Verne, Thomas Mann, Emile Zola, Dostoievsky, Albert Camus, Henry Miller, Rushdie, Jorge Luiz Borges, Boccaccio, Balzac, Platão, Gibran, Stendal, Anthony Burgess, Ayn Rand, Maugham, Greene, Huxley, Steinbeck... você terá também que ler o maior número possível das obras de William Shakespeare... ou pelo menos ver alguns dos filmes sobre a sua obra. E se prepare para uma surpresa: se você assistir as versões dirigidas por Keneth Branagh, você vai simplesmente adorar. Mas...

... lembre-se de ler ainda Carl Sagan, Ken Follet, Antoine de Saint-Exupéry, Spencer Lewis, Frederick Forsyth, Richard Bach, Isaac Asimov, James Michener, o Kama Sutra (ilustrado é melhor), Tom Clancy, Frank Herbert, James Clavell, David Morrel, Robert Ludlum, Arthur C. Clarke; leia o Tao Te King de Lao Tsé, o evangelho de Jesus Cristo, a Bhagavd Gita, Alan Kardek, Jung... e quantos eu deixei de fora desta lista que estaria apenas começando...

Nunca encontrei uma relação específica dos melhores livros para escritores e, todos aqueles que tiveram a infelicidade de cruzar meu caminho acabaram nas minhas estantes, condenados eternamente a ouvir blues, Beethoven e respirar incenso. Assim, só posso indicar os que eu li e que, de uma forma ou de outra, me ajudaram. Entre eles estão livros de teoria literária, gramática, estilo e até simples manuais do tipo "Como escrever um romance..."

É provável que a maior parte deles ainda esteja à venda, mas acredito que será mais fácil encontrá-los em uma livraria virtual como Submarino, Cultura, ArtePauBrasil, Barnes & Noble ou Amazon. Não estão em nenhuma ordem especial, a não ser a "desordem" em que se encontram na prateleira mais próxima do meu computador.

Meu inglês é muito bom, meu espanhol é passável mas eu não falo francês, italiano... nem aramaico. Assim, é fácil notar uma predominância de obras em português, inglês e espanhol. Com certeza, se você domina outros idiomas, e procurar, vai encontrar publicações neste mesmo estilo.

fonte: Parágrafo - O Manual de Sobrevivência do Novo Escritor, por.Fábio Marchioro em 10.dez.2001

postado por: Eduardo Pereira 20:07



7.7.03

E como esta: Zico, craque eterno, estará autografando hoje à noite na Livraria Argumento, no Leblon, a sua biografia - "Zico - 50 anos de futebol" - escrita pelos jornalistas Roberto Assaf e Roger Garcia.
O Globo, Rio, 07 de julho de 2003, caderno esportes, coluna de FERNANDO CALAZANS.

postado por: Eduardo Pereira 20:47



5.7.03

Exemplo
Donald N. Sull, professor de Harvard, irá coletar material em dez empresas brasileiras para seu novo livro sobre processo de transformação. Ele aproveita sua passagem para o lançamento de seu livro "De volta ao Sucesso", para o novo estudo.
Folha de São Paulo, 01 de julho de 2003, caderno dinheiro, coluna PAINEL S.A.

postado por: Eduardo Pereira 23:34



O que estou lendo


Edemar Cid Ferreira
Banqueiro

NOVO MUNDO - AS CARTAS QUE BATIZARAM A AMÉRICA
Américo Vespúcio
(Planeta)

"São cartas escritas por Vespúcio e traduzidas por Eduardo Bueno. Apresentam em detalhes as descobertas e a vida dos viajantes e dos nativos. Bueno inseriu notas que localizam e elucidam, com muito acerto, as dúvidas do leitor. O texto é extremamente curioso. Bom de ler."





Gugu Liberato
Apresentador

LIMITES SEM TRAUMA

Tânia Zagury
(Record)

"Como pai, estou muito ligado em livros desse tipo. Esse me prende especialmente a atenção não somente por isso, mas por sua linguagem atual e simples, num momento em que crises nas relações entre pais e filhos se transformaram num tema constante - e, às vezes, trágico. O livro oferece uma luz no fim do túnel."





Carolina Kasting
Atriz

OS IRMÃOS KARAMAZOV
Fiódor Dostoiévski
(Ediouro)

"Tinha lido Crime e Castigo e quis conhecer outra obra dele. Primeiro é preciso se educar para ler Dostoiévski, ainda mais neste livro, onde há um número maior de personagens. É difícil, mas, depois que você se acostuma, a leitura flui mais tranqüilamente."


Revista Veja, Edição nº 1810 - 9 de julho de 2003, O que estou lendo

postado por: Eduardo Pereira 22:36




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